Nubank avança em disputa para comprar unidade de banco português no Brasil

01/07/2026
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Governo português indica que prentende receber cerca de R$ 250 milhões pela filial do CGD, embora boa parte disso seja em assunção de dívida (Por Álvaro Campos) - foto divulgação -

O Nubank avançou no processo para comprar a unidade do banco português Caixa Geral de Depósitos (CGD) no Brasil, apurou o Valor. No leilão de venda do banco, quatro finalistas tinham passado para a segunda fase e o prazo para a entrega de propostas vinculantes terminou na semana passada.

Segundo fontes, ao menos Nubank, MD Capital e Garantia Capital fizeram ofertas. Não está claro se o grupo Sputnik também chegou a protolocar uma proposta.

Como se trata de um processo de desestatização, o governo português tem sido muito cauteloso e indicou que prentende receber cerca de R$ 250 milhões pela filial do CGD, embora boa parte disso seja em assunção de dívida.

Procurado, o Nubank disse que já informou ao mercado que pretende obter uma licença bancária no Brasil neste ano e que vem avaliando diferentes alternativas para atingir esse objetivo.

"Essas análises não significam uma definição sobre qualquer operação específica. Como companhia aberta, temos compromisso com a transparência e comunicaremos ao mercado quando qualquer decisão relevante for tomada."

O fundador e CEO global do Nubank, David Vélez, já disse publicamente que a compra de um banco seria apenas pela "casca", que não está adquirindo carteira. “Se comprarmos um banco, será algo pequeno, principalmente pela licença”, disse no fim do ano passado.

Curiosamente, essa não é a situação do Banco Caixa Geral - Brasil, a filial da CGD, que tem R$ 1,9 bilhão em ativos, sendo R$ 860,6 milhões em "outras operações com características de concessão de crédito". Segundo fontes da indústria, o portfólio inclui operações complexas e problemáticas, inclusive uma fiança de dezenas de milhões de reais para a operadora de telefonia Oi.

Anteriormente, o Nubank vinha dizendo que podia comprar um banco ou pedir uma licença do zero, mas dado o prazo até o fim do ano para se adaptar à regra do BC que impede empresas sem licença de banco de usar o termo "bank" no nome, a possibilidade de conseguir uma licença nova em apenas seis meses parece mais difícil.

Entre os outros players na disputa, a MD Capital foi criada por dois ex-veteranos do Bradesco, Mario da Silveira Teixeira Junior e Dorival Antonio Bianchi. Já a Garantia Capital é formada por André Perfeito, Marcelo Bragaglia e o lendário Luiz Cesar Fernandes, fundador dos bancos Garantia e Pactual.

Tanto MD como Garantia Capital trazem, portanto, nomes com experiência na área de banco de investimento e operações estruturadas, por isso faria mais sentido que eles ficassem com os ativos da filial da CGD, segundo participantes do mercado. (Fonte: Folha de SP)

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