Senacon apura instituições que cobrariam taxas superiores a 900% ao ano em empréstimos pessoais. Instituições podem definir juros, mas devem manter taxas na média do mercadoNesta sexta-feira (27), o Ministério da Justiça e da Segurança Pública informou a instauração de um processo de investigação contra três instituições financeiras. O governo alega que elas estão repassando juros abusivos nos contratos de empréstimo pessoal.
Um dos alvos da ação é a Crefisa, muito conhecida na oferta de crédito para aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional de Seguro Social). Segundo investigações preliminares, a empresa estaria praticando uma taxa mensal de 20,86%, o que equivaleria a 871% ao ano.
As outras duas empresas incluídas no rol do processo são Valor S/A e Cobuccio, ambas cobrando cerca de 21,7% ao mês dos seus consumidores. Na prática, esse índice representa uma cobrança anual superior a 950%, de acordo com a pasta.
“Esses percentuais estão entre os maiores identificados no mercado e motivaram a instauração da investigação pela Senacon para apurar eventual abusividade à luz do Código de Defesa do Consumidor”, diz o órgão. “O objetivo [da ação] é proteger os consumidores contra práticas abusivas que violem os princípios da boa-fé, da transparência, do equilíbrio nas relações de consumo, do crédito responsável e da vedação à vantagem manifestamente excessiva, previstos no Código de Defesa do Consumidor”, continua.
O secretário nacional do Consumidor, Ricardo Morishita, destaca que as empresas podem definir suas taxas de juros. No entanto, pontua que
“a liberdade de preços não significa liberdade de abusos”.Essa não é a primeira vez que empresas como a Crefisa são investigadas por este mesmo motivo. No ano passado, a empresa chegou a ter seu contrato com o INSS suspenso por causa do número de ações na Justiça que falavam sobre cobranças abusivas.
Na época, apenas em São Paulo, a empresa constava em mais de 300 processos de diferentes pessoas. "São contratos que fogem muito do que prevê o Código de Defesa do Consumidor", explica o advogado Marcos Raimundo da Silva, que defende vários processos contra a empresa. "É triste ver o aposentado pedindo ajuda, socorro, comprometendo 100% da renda, sem receber salário. Eles só vão buscar [ajuda] quando, de fato, não estão recebendo nada".
Neste caso recente, a Senacon destacou que as três autuadas passarão pelas fases do processo, quando terão direito ao contraditório e à ampla defesa. As instituições foram procuradas pela imprensa, mas não responderam até a publicação desta reportagem. (Fonte: Investidor 10)
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