Resultados do 3 trimestre do BB frustraram novamente e mercado segue cauteloso(Por Lara Rizério) - foto reprodução - Mais um trimestre fraco para o Banco do Brasil e com corte de projeções. O banco estatal teve nova piora de resultados, ainda influenciado pela inadimplência no agronegócio e aumento das provisões. O BB encerrou o terceiro trimestre deste ano com lucro líquido ajustado de R$ 3,785 bilhões, queda de 60,2% em relação a igual período de 2024. Na comparação com o segundo trimestre, o resultado ficou estável.
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) fechou o terceiro trimestre em 8,4%, de 8,4% no segundo período deste ano e 21,1% há 12 meses. O indicador seguiu no menor nível desde 2016.
A XP Investimentos ressalta que o lucro ficou ligeiramente acima da sua estimativa de R$ 3,6 bilhões, devido a despesas tributárias positivas, enquanto o desempenho da operação principal permaneceu pressionado: o custo de crédito aumentou para R$ 7,9 bilhões, impulsionado por uma maior deterioração da qualidade de crédito em todos os segmentos.
BAIXE AQUI DE GRAÇAO índice de inadimplência, que considera atrasos de mais de 90 dias, subiu para 4,93% no terceiro trimestre, contra 4,21% no terceiro trimestre de 2024 e 3,33% no terceiro trimestre do ano passado. O resultado é influenciado principalmente pelo agronegócio, segmento onde o banco lidera na concessão de crédito, e na linha de cartões de crédito. Segundo a XP, esses números reforçam a visão de que a normalização é improvável no curto prazo.
No lado da receita, a margem financeira (NII) de R$ 26,4 bilhões ficou moderadamente acima das expectativas, enquanto as taxas de serviços e despesas ficaram em linha com o esperado.
A Genial Investimentos também apontou o lucro acima das suas projeções, mas beneficiado por uma alíquota de imposto positiva de 18%, que ajudou a sustentar o resultado no trimestre. O lucro antes dos impostos, por sua vez, recuou 18,9% ante o 2T25 e 64,4% ante o 3T24, refletindo uma piora sequencial na qualidade dos resultados.
O lucro antes dos impostos ficou 26% abaixo das projeções do Itaú BBA, que também apontou a “qualidade ruim” dos números do banco.
A carteira de empréstimos recuou 1% em relação ao trimestre anterior, a receita líquida de juros ajustada ao risco caiu 8% em relação ao trimestre anterior e os serviços apresentaram desempenho fraco, parcialmente compensado pela contenção das despesas operacionais.
A Genial destaca três fatores negativos principais para o balanço:1. Inadimplência no agronegócio: seguiu em forte trajetória de deterioração, atingindo 5,34% (+1,85 ponto percentual, ou pp, trimestre a trimestre; +3,37 pp anualmente), com concentração nas cadeias de soja e milho na região Centro-Oeste. “Embora não tenha ocorrido quebra relevante de safra, a queda acentuada dos preços e a elevada alavancagem dos produtores levaram a um aumento expressivo nos atrasos e pedidos de recuperação judicial”.
2. Custo de crédito saltou +77,7% ano a ano e +12,7% ante o 2T25, totalizando R$ 17,9 bilhões, refletindo a piora rápida da qualidade da carteira e o fluxo concentrado de vencimentos do crédito agrícola no trimestre, além dos impactos da Resolução 4.966.
3. Gradual avanço da inadimplência também no segmento de PF. O segmento é impactado também pelo agro, pois cerca de 40% da carteira PF são de produtores rurais.
“Mais do que o resultado em si, os mercados buscavam sinais de que o pior já havia passado, o que, em nossa opinião, não parece ser o caso. Os empréstimos inadimplentes aumentaram 70 pontos-base em relação ao trimestre anterior, impulsionados por problemas persistentes no agronegócio, mas também por empréstimos de pessoas físicas, com os empréstimos inadimplentes de cartão de crédito saltando 240 pontos-base em relação ao trimestre anterior”, avalia o BBA.
A formação de NPLs (a variação do saldo de créditos em atraso) aumentou mais 30 pontos-base, após um 2T25 pressionado, atingindo R$ 20 bilhões. As provisões líquidas saltaram 13% em relação ao trimestre anterior, para R$ 18 bilhões. A receita líquida de juros está reagindo com spreads (diferencial entre a taxa de aplicação e captação) melhores, mas a desaceleração dos volumes, aliada à persistência de problemas de qualidade de ativos em todos os segmentos, deve impactar negativamente as estimativas para o ano fiscal de 2026, avalia o BBA.
Revisões para baixoNeste sentido, junto aos resultados, o Banco do Brasil revisou novamente suas projeções, elevando a faixa do custo de crédito de R$ 53–56 bilhões para R$ 59–62 bilhões, e reduzindo a projeção de lucro líquido ajustado para R$ 18–21 bilhões (ante R$ 21–25 bilhões anteriormente), em linha com as expectativas da XP.
Para o BBA, a revisão para baixo das projeções evidencia a visibilidade limitada dos problemas em andamento, o que deve manter os múltiplos pressionados.
O Bradesco BBI também aponta que, apesar da visão otimista de que a rentabilidade se recuperaria claramente no 4T25, as tendências mais recentes indicam que a recuperação será mais gradual e implica um lucro líquido ainda menor do que a estimativa conservadora dos analistas da casa.
“Embora a administração já tivesse previsto um trimestre desafiador, este foi ainda mais fraco do que o esperado e a revisão das projeções levanta dúvidas sobre se haverá uma recuperação no 4º trimestre de 2025”, reforça o Goldman Sachs.
Na visão da Genial Investimentos, a recuperação estrutural do banco estatal dependerá da capacidade do BB de renegociar, sanear e limpar a carteira rural, cujos efeitos se estendem às carteiras de PJ e PF — movimento que pode destravar valor a partir de 2026, especialmente com o suporte da MP 1.314, que que garante renegociação de dívidas rurais e introduz mecanismos de alongamento e recomposição do crédito rural.
Os analistas esperam que as ações reajam negativamente no curto prazo, refletindo o resultado fraco e a revisão para baixo do guidance. Ainda assim, o BB permanece negociando a múltiplos bastante descontados, aponta.
A Genial acredita que há espaço para melhora gradual dos fundamentos e rentabilidade à medida que o ciclo de crédito rural se normalize. Além disso, um cenário de alternância presidencial em 2026 poderia atuar como catalisador adicional de reprecificação, reduzindo a percepção de risco político e destravando os múltiplos do setor público.
“Ou seja, com fundamentos em recuperação, múltiplos atraentes e cenário eleitoral atuando como possível gatilho, o papel do banco estatal pode se tornar atrativo ao longo de 2026′”, destaca. Contudo, no momento, a Genial segue com a recomendação de manutenção, com preço-alvo de R$ 24,00, implicando potencial de valorização de 5,3%.
Na mesma linha, a XP tem recomendação neutra para BBAS3, enquanto aguarda sinais mais claros de melhora. O Itaú BBA também tem recomendação equivalente – marketperform, desempenho em linha com a média do mercado – com preço-alvo de R$ 23 por ativo. O Goldman também tem recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 22,80. (Fonte: Info Money)
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