Bradesco faz uso intensivo de IA generativa. Levantamento avaliou o impacto da tecnologia no varejo bancário mundial e no Brasil (Por Altamiro Silva Junior (Broadcast) e André Marinho) - foto Paulinho Costa feebpr - A adoção intensa de inteligência artificial pode fazer os bancos lucrarem US$ 370 bilhões a mais por ano, ajudados pela redução de custos e ganhos de produtividade, mostra estudo do Boston Consulting Group (BCG), que avaliou o impacto da nova tecnologia no varejo bancário mundial, incluindo o Brasil.
A conclusão do estudo é que o lucro global dos bancos saltaria dos US$ 900 bilhões de 2024 para US$ 1,3 trilhão em 2030, mesmo com redução de receitas decorrente da competição e da personalização. O ganho viria da redução estrutural dos custos, estimado pelo BCG em 30% a 40% no período para os bancos mais intensivos em IA, chamados no estudo de “AI First”. Essa redução supera a eventual perda de receita, comentou à Coluna a diretora executiva e sócia do Boston Consulting Group, Candice Mascarello.
Nas últimas semanas, investidores reavaliaram a euforia que vinha impulsionando ações de tecnologia, após um relatório da Citrini Research confirmar que a IA deve trazer benefícios de produtividade, mas provocaria um baque severo na economia e no mercado de trabalho.
Sobre a perda de postos de trabalho, Candice ressalta que os modelos de IA preveem “automação ampla de tarefas cognitivas padronizadas”, com agentes executando processos ponta a ponta. “Ao mesmo tempo, o papel humano não desaparece; ele se desloca. A ênfase passa a ser estratégia, supervisão, julgamento, relacionamento e governança.”
No País há forte digitalizaçãoEspecificamente sobre o Brasil, a executiva ressalta que ainda é prematuro afirmar que os grandes bancos brasileiros já operam plenamente como “AI First”, embora eles já sejam conhecidos pela forte digitalização, uso intensivo de dados, modelos de crédito sofisticados e aplicações relevantes de IA no combate à fraude e atendimento aos clientes. “O ‘AI First’ implica reconfigurar integralmente o modelo operacional”, ressalta Candice.
Alguns bancos brasileiros, ressalta a consultora, já estão repensando seus processos de ponta a ponta, inclusive com alguns serviços viabilizados por agentes de IA já disponíveis para uso dos clientes. Apesar disso, a transição para um modelo estruturalmente “AI First” ainda deve levar alguns anos, no Brasil, China e países desenvolvidos.
No Brasil, os bancos vêm aumentando investimentos em IA. Nas recentes teleconferências de resultados, não faltaram menções à ampliação do uso da nova tecnologia. “A modernização que realizamos em nossas plataformas, na arquitetura de dados e na forma como nos relacionamos com o cliente, aliada ao lançamento de IA nos nossos negócios, não apenas internamente, mas também externamente, faz com que sejamos extremamente competitivos”, disse o CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho. Em 2025, o banco teve alta de 35% no indicador que mede a velocidade de implantações tecnológicas em comparação ao ano anterior, além de um aumento de 84% no volume de iniciativas de IA generativa em uso.
Bradesco faz uso intensivo de IA generativaNo Bradesco, o presidente Marcelo Noronha ressaltou que o uso intensivo de IA generativa já está aumentando a produtividade, melhorando modelos, engajando clientes e reforçando a segurança. “Estamos trabalhando em inúmeras iniciativas em IA, não só na IA generativa”, disse ele a analistas, afirmando que os investimentos em tecnologia pelo banco cresceram 22% em 2025, e o ritmo deve seguir forte este ano. Já a presidente do BB, Tarciana Medeiros, disse que o banco deve intensificar em 2026 o uso da IA, com “investimentos relevantes” na nova tecnologia, isso após investir R$ 19 bilhões entre 2023 e 2025. Atualmente, a instituição já tem 67 mil funcionários capacitados em IA e já adota mais de 1.800 modelos.
Já o fundador e CEO do Nubank, David Vélez, afirmou que a inteligência artificial traz mais oportunidades do que desafios para a fintech, que no ano passado conduziu uma rodada agressiva de aumentos em limites de cartões de crédito com base em modelos de IA. Em teleconferência com investidores, Vélez disse que as instituições financeiras mais expostas a impacto negativo da IA são aquelas que se baseiam apenas, por exemplo, na transferência de dinheiro de um ponto para outro.
Para Vélez, é importante fornecer mais valor do que isso. “Quando você pensa que 95% dos lucros dos serviços financeiros no mundo ainda estão concentrados nos bancos tradicionais, que seguem com estruturas de custos significativamente maiores, isso mostra que estamos muito bem posicionados para aproveitar a IA como uma alavanca tecnológica tanto para receita quanto para custos.” (Fonte: Estadão)
Notícias FEEB PR