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18/12/2020

Mercedes-Benz encerra produção de carros no Brasil

(Por José Maria Tomazela e Diogo de Oliveira, colaboraram Emily Nery, José Antonio Leme e Tião Oliveira) 

Durou menos de cinco anos a história da fábrica de automóveis da Mercedes-Benz em Iracemápolis, no interior de São Paulo. A empresa anunciou nesta quinta, 17, que a unidade, inaugurada em março de 2016, encerrará a produção. Segundo a Mercedes, ainda está sendo estudada a melhor solução para o destino da unidade e seus 370 funcionários, que não serão demitidos imediatamente. Uma das possibilidades é a abertura de um programa de demissões voluntárias.

Segundo a Mercedes-Benz, a decisão de parar a produção em Iracemápolis veio de uma soma de fatores. Mas o principal deles, claro, foi o econômico. A crise pela qual o Brasil passou nos últimos anos se agravou com a pandemia. "Isso causou uma queda significativa nas vendas de automóveis premium", disse, em comunicado, Jörg Burzer, membro do conselho de administração da Mercedes-Benz AG.

A fábrica, que recebeu mais de R$ 600 milhões em investimentos, era responsável por produzir o utilitário esportivo (SUV) compacto GLA - cuja fabricação já havia sido paralisada em setembro - e o sedã médio Classe C, que teve a produção encerrada na quarta-feira, 16.

A meta inicial era fabricar até 20 mil carros por ano. Atualmente, porém, estava longe desse objetivo: de acordo com dados da Fenabrave, federação que reúne as concessionárias, entre janeiro e novembro foram emplacadas 1.206 unidades do GLA e 1.785 do Classe C no País.

Sinal amarelo
Essa não será a primeira experiência frustrada de uma fábrica da Mercedes no Brasil. No fim da década de 1990, foi inaugurada a unidade de Juiz de Fora (MG), voltada para a produção do compacto Classe A. Mas o carro nunca teve o desempenho de vendas no Brasil que dele se esperava - até porque a desvalorização cambial que o País atravessou naquele período acabou tornando o veículo caro demais para os padrões nacionais.

Com o fim da produção do Classe A, a unidade passou a fabricar o sedã médio Classe C, voltado para o mercado externo, que durou até 2010. Depois, com algumas adaptações, produziu caminhões até o ano passado. Atualmente, fabrica cabines para a linha de caminhões pesados de São Bernardo do Campo (SP).

2ª maior empregador de Iracemápolis
O fechamento da fábrica da Mercedes-Benz do Brasil pegou de surpresa autoridades e moradores da pequena Iracemápolis, no interior de São Paulo. A indústria é a segunda maior empregadora da cidade de 24.235 habitantes, na região de Piracicaba.

O presidente da Câmara, William Ricardo Mantz (Podemos), disse que os vereadores vão discutir a saída da empresa. "Ninguém esperava isso, porque foi uma luta muito grande para a Mercedes vir para cá. Iracemápolis tomou a frente até do governo do Estado em algumas situações."

Segundo ele, houve uma grande mobilização na cidade para conseguir a fábrica. Conforme o parlamentar, neste ano, apesar da pandemia, a contribuição da empresa para a arrecadação do município foi de mais de R$ 12 milhões. Em outros anos, chegou a R$ 19 milhões, em um orçamento que, no próximo ano, será de R$ 91 milhões.

A prefeitura informou, em nota, que o principal impacto para o exercício de 2021 será uma redução de 5% na arrecadação do Imposto Sobre Serviços. Em 2020, mesmo com a pandemia de covid-19, a arrecadação de ISS foi de R$ 6,2 milhões e a Mercedes respondeu por 8,4%. Já no repasse de ICMS, imposto sobre circulação de mercadorias e serviços, os efeitos serão sentidos a partir de 2022. Em 2019, a Mercedes representou 11% de toda a movimentação de ICMS do município. (Fonte: Estadão)