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03/11/2026

Após decepção dos rivais é a vez do Itaú mostrar hoje seu balaço no 3T26

Para analistas, estratégia de priorizar retornos em vez de participação de mercado deve ajudar o bancão a sustentar lucro e rentabilidade no terceiro trimestre (Por Camille Lima) - foto Paulinho Costa feebpr -

Enquanto os grandes bancos brasileiros tentam equilibrar o crescimento do crédito com o avanço da inadimplência, o Itaú Unibanco chega ao balanço do terceiro trimestre com uma vantagem que tem feito diferença nos últimos anos: a capacidade de transformar uma carteira mais seletiva em rentabilidade elevada.

O maior banco privado da América Latina divulga os resultados nesta terça-feira (3), após o fechamento do mercado, e a expectativa é de mais um trimestre de crescimento do lucro e retorno sobre o patrimônio entre os mais altos do setor.

Os analistas esperam um lucro líquido de R$ 12,714 bilhões, segundo o consenso da Bloomberg, o que representaria alta de 7% em relação ao mesmo período do ano passado.  

Já o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) deve alcançar 23,8%, de acordo com as projeções, um avanço de 0,5 ponto percentual (p.p) na comparação anual.

Em um cenário de crédito mais restritivo, a expectativa dos analistas é que a disciplina na concessão de empréstimos, a qualidade dos ativos e o controle de despesas continuem funcionando como amortecedores para os resultados do banco.

A expectativa ganha relevância em um momento em que os concorrentes enfrentam desafios para conciliar expansão da carteira, qualidade dos ativos e despesas com provisões.  

Depois dos resultados de Santander Brasil e Bradesco, que trouxeram pontos de preocupação para o mercado, o Itaú chega ao balanço com uma perspectiva de maior previsibilidade.

O que os analistas esperam do Itaú no 3T26?
Para o Safra, a qualidade dos ativos e a disciplina de custos devem ajudar a sustentar o lucro, mesmo com um crescimento mais moderado dos empréstimos e das receitas com tarifas.

"As receitas com tarifas devem permanecer fracas, mas a contínua disciplina nas despesas deve sustentar os resultados, compensando parcialmente a pressão sobre as receitas decorrente da venda da carteira de varejo na Colômbia", avaliam os analistas.

O Citi também espera um trimestre sem grandes sobressaltos. A projeção é de crescimento saudável da carteira de crédito, margem financeira resiliente, qualidade de ativos estável e controle das despesas.  

Os analistas resumem a expectativa como “mais um trimestre sólido, com poucas surpresas”.

Na avaliação da XP Investimentos, o Itaú deve continuar estabelecendo a referência de rentabilidade entre os grandes bancos.

Parte dessa vantagem vem justamente da estratégia de priorizar o retorno ajustado ao risco, em vez de buscar participação de mercado a qualquer custo.

Isso não significa fechar a torneira do crédito. A expectativa é de expansão moderada dos empréstimos para pessoas físicas, com apoio do consignado privado e do crédito imobiliário.

Em contrapartida, os financiamentos de veículos devem continuar em queda, enquanto os saldos de cartões devem avançar de forma mais contida.

Entre as empresas, a XP projeta aceleração do crédito para pequenas e médias empresas (PMEs), impulsionada por programas de apoio do governo.

Sem grandes preocupações com inadimplência no Itaú
Em um cenário de inadimplência pressionada no sistema financeiro, a capacidade de preservar a qualidade da carteira é parte importante da vantagem competitiva do Itaú.

Mesmo com a expectativa de aumento das provisões para eventuais calotes, os analistas projetam que esse avanço acompanhe, em linhas gerais, o crescimento dos empréstimos, sem deterioração relevante nos segmentos de varejo e atacado.

"A qualidade dos ativos deve permanecer benigna, com provisões crescendo em linha, de forma geral, com a carteira de crédito e sem deterioração relevante nos portfólios de Varejo ou Atacado, enquanto o segmento de PMEs pode continuar passando por um processo de normalização", avalia a XP.

A carteira de pequenas e médias empresas ainda merece atenção, mas o Goldman Sachs vê o Itaú entre as instituições mais protegidas contra uma eventual piora do ciclo de crédito.

Na avaliação do banco norte-americano, a combinação de qualidade da carteira e rentabilidade elevada coloca o Itaú em posição favorável diante dos riscos que rondam o setor.  

Rentabilidade elevada também abre espaço para dividendos
A vantagem do Itaú não está apenas na capacidade de atravessar um ciclo de crédito mais difícil. A rentabilidade elevada também abre espaço para uma distribuição relevante de recursos aos acionistas.

O Goldman Sachs espera que o banco preserve seu ROE acima dos pares e mantenha uma política de remuneração polpuda aos investidores.  

As projeções dos analistas apontam para um retorno com dividendos (dividend yield) de 6,5% em 2026 e de 6,9% em 2027 — o maior entre os bancos acompanhados pelo banco.

A diferença de rentabilidade em relação aos concorrentes ajuda a explicar essa expectativa.

Segundo o Goldman, desde 2021, todos os bancos analisados, com exceção do Itaú, passaram por períodos em que o retorno sobre o patrimônio ficou abaixo do custo de capital, o que significa que não conseguiram remunerar adequadamente os recursos investidos pelos acionistas.

"Esperamos que essa liderança seja preservada daqui para frente", afirmam os analistas.

Na visão do Goldman, há ainda um efeito que reforça a vantagem competitiva das instituições mais rentáveis: bancos que conseguem gerar retornos elevados têm mais capacidade de financiar o próprio crescimento e distribuir capital aos acionistas, o que pode ampliar a distância em relação aos concorrentes.

O balanço do terceiro trimestre será mais um teste dessa estratégia. (Fonte: Seu Dinheiro)

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