Alguns esclarecimentos acerca da venda da participação da Funcef na empresa Sete Brasil

25/02/2021
/
182 Visualizações

Recentemente algumas observações nas mídias sociais levaram a muitos questionamentos às entidades representativas, inclusive à Federação dos Bancários do Estado do Paraná (Feeb-PR), acerca da venda simbólica por “um dólar” da participação da Funcef na famosa empresa Sete Brasil, que foi criada com objetivo de exploração do Pré-Sal.

Para capitalizar, foram convocados os fundos de pensão Previ do BB, Funcef da Caixa, Petros da Petrobrás. Cada uma com participações extremamente volumosas, depositadas através do FIP-Sondas.

Recentemente, o presidente da AEA-PR (Associação dos Economiários Aposentados do Paraná), Valfrido Oliveira, conversou com um diretor eleito da Funcef (fundo da Caixa), o qual esclareceu alguns pontos deste prejuízo. A seguir, Valfrido esclarece essa questão do FIP Sondas, com base nas informações disponíveis até o momento:

1 - Primeiramente, ao contrário do que se insinua ou se dá a entender nas redes sociais as irregularidades se concentram na concepção, estruturação e captação de recursos para o projeto Sete Brasil, subsidiária da Petrobras na área de construção naval. Aspecto confessado pelos seus ex-dirigentes João Carlos Ferraz e Pedro Barusco, em acordos de delação premiada:

2 - Face ao alto grau de endividamento da empresa, que ingressou com pedido de recuperação judicial em 2016, a única saída vislumbrada para evitar que os credores fossem à Justiça requerer esse pagamento, perante os acionistas anteriores (Funcef dentre eles) seria a transferência de ativos recuperáveis a uma nova entidade, que celebraria acordos de afretamento de 04 navios-sonda (contra os 28 originalmente cogitados) para, com esse recurso, fazer parte do pagamento dessas dívidas, que também receberam substancial desconto dos credores (BNDES, Fundo da Marinha Mercante, e alguns bancos);
Nesse contexto, todos os então sócios da antiga Sete Brasil alienaram suas participações a valor simbólico, como foi o caso da Petrobras.

4 - Assim, fora essa “solução”, voltada a estancar as perdas incorridas nessa “roubada” (figurativa e literalmente), seria continuar a aportar recursos na companhia, para terminar a construção dos navios, tentar vendê-los ou alugá-los, e enquanto isso, continuar pagando as parcelas das dívidas contraídas para tal finalidade.

5 - A nosso ver, um buraco sem fundo e com grandes chances de aumentar ainda mais a perda provisionada desde 2017, de $1,385 bilhão de reais

6 - Não por acaso, o processo decisório de investimento nesse FIP foi alvo de auto de infração da Previc, considerando irregular a conduta dos dirigentes e gestores envolvidos no processo decisório, ocorrido entre 2012 e 2013;

7 - Da mesma forma, o Ministério Púbico Federal ofereceu denúncia à Justiça, pelos amplos indícios de gestão temerária e fraudulenta cometidos nessa operação;

8 - Além disso, o mesmo MPF pediu ressarcimento aos fundos de pensão, pelo triplo do valor investido, a título de reparação por perdas e danos, o que, no caso da Funcef, alcança a marca de $5 bilhões
 
9 – Assim, muito ao contrário do que se insinua, a decisão de alienação por valor simbólico visou evitar ampliar ainda mais a perda da Funcef e dos demais investidores desse projeto malfadado.

COMPARTILHE

NOTÍCIAS RELACIONADAS